sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Igreja Matriz de Espinho



































Igreja Paroquial dedicada a Nossa Senhora da Ajuda, a Igreja Matriz de Espinho é um templo que veio substituir a antiga Capela da Praça Nova, numa área que foi invadida pelo mar. É uma obra moderna da responsabilidade do arquiteto Adães Bermudes, iniciada em 1930 sob a vigência do Padre Joaquim Teixeira Silva Amaral. Trata-se de uma construção ao gosto da época, com sabor revivalista neo-românico. Este templo caracteriza-se pela boa combinação dos elementos de inspiração românica e as necessidades contemporâneas. A volumetria da fachada é marcada pela imponente torre sineira central, precedida por pequena escadaria de acesso ao portal nobre. Este é constituído por arco de volta perfeita, contornado por composição rendilhada, encimado por frontão triangular e rematado por cruz latina. Segue-se-lhe o pano intermédio, composto por elevado vão em arco de volta perfeita, encerrando no tímpano o relógio. Este é separado inferiormente por moldura denticulada; abaixo dela abre-se um óculo, sob o qual está uma janela geminada, também em arco "românico", enquadradas por arco pleno. À altura destas janelas rasgam-se duas frestas laterais, encimadas por um arco de volta perfeita. Os corpos laterais terminam em frontão retilíneo que enquadra a torre, sobre friso entrelaçado e com o centro a cheio.
A torre quadrangular apresenta três aberturas em cada face, enquadradas por molduras ressaltadas e ornadas com o mesmo tipo de friso. As ventanas desenvolvem-se em arcaria nos panos da torre e os ângulos são vincados por cunhais fenestrados, rematados por pináculos em socalcos. A coroar o coruchéu piramidal encontra-se uma imagem da Virgem Maria. Lateralmente, rasgam-se largos óculos colocados nos topos dos transeptos. Os vitrais das janelas são do século XX (1949), da autoria de Silvério Vaz, com a colaboração do arquiteto Inácio de Sá.
Interiormente, o templo projeta-se em nave única e ampla que se desenvolve, lateralmente, por uma arcaria. Esta, na zona inferior, estabelece capelas, abrindo-se no piso superior diversas janelas. É de salientar a segunda capela do lado direito pelo Cristo crucificado de grandes dimensões, uma notável escultura de madeira policroma da autoria de Teixeira Lopes. Na sua concepção estilística, esta imagem filia-se numa outra idêntica que está na Casa-Museu de Gaia. O Cristo crucificado tem como pano fundeiro uma excelente tela do pintor Joaquim Lopes, onde trata de diferente forma o tema das Almas do Purgatório - à direita, um anjo a libertá-las e, à esquerda, a Senhora do Carmo a interceder por elas.
Merecedora de atenção é também uma escultura quatrocentista de pedra de Ançã, de oficina coimbrã, representando S. João Evangelista e que está posta na sacristia.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Espinho de 1899 a 1973


No dia 21 de Setembro de 1899 foi instalada provisoriamante a primeira Câmara Municipal no prédio da rua 19 nº 393, onde hoje se encontra a farmácia Higiene. A eleição da vereação, acabou por eleger presidente o Dr. António Augusto Castro Soares e vice-presidente Henrique Pinto Alves Brandão.
O concelho ficou limitado à freguesia de Espinho até 11 de Outubro de 1927, data em que o DL nº 12457 publicou a anexação das freguesias de Guetim, Anta, Nogueira da Regedoura, Silvalde, Oleiros, Paramos e Esmoriz. Todavia o DL nº 15395, de 14 de Abril do ano seguinte, desanexou as freguesias de Nogueira da Regedoura, Oleiros e Esmoriz, que voltaram a pertencer aos seus anteriores concelhos.
Os primeiros responsáveis pela administração do concelho entraram no século XX determinados a prosseguir, sem tibiezas, a luta pela valorização que a todos animara na curta mas notável história da promissora praia.
Logo no dia 6 de Janeiro de 1901 é publicado o primeiro número do jornal "A Gazeta de Espinho"
No dia 11 seguinte a Junta de Freguesia de Espinho apresentou ao Governo o pedido formal da criação da Comarca de Espinho, o que, apesar de insistentes diligências nas décadas seguintes, só foi conseguido em 1973!
A planta geral da Vila, da autoria do Engº Bandeira Neiva, demarcava novas ruas e avenidas, melhorando a da autoria de Bandeira Coelho.
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Os Bombeiros Voluntários de Espinho passaram a ser Associação Humanitária com personalidade jurídica.
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As principais ruas começaram a ser empedradas e arborizadas e em Março havia verba para a construção de um edifício escolar para ambos os sexos.
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Electricidade
Espinho foi uma das primeiras terras portuguesas a ter electricidade a partir de um gerador instalado no Hotel Bragança, onde um reclame luminoso das conservas Brandão, Gomes & Cª, instalado na fachada, constituiu uma justificada curiosidade para a época.
Em Março de 1901 a rua Bandeira Coelho (actual rua 19) era iluminada electricamente a nascente da via férrea até à 18, por iniciativa de João Baptista Carvalho, proprietário do Teatro Aliança.
Durante a época balnear a baixa espinhense também passou a ser iluminada por iniciativa particular, o que lhe conferiu um atractivo especial naquele tempo.
A partir de 15 de Julho de 1909 já todas as ruas existentes tinham focos eléctricos durante as primeiras horas da noite. Só a partir de 18 de Dezembro de 1911 a iluminação passou a fazer-se toda a noite.
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Saneamento
A substituição das fossas sumidouras pela rede de saneamento em Espinho começou a ser feita em 1911.
A rede pública de saneamento foi iniciada na década de 50 e só ficou completada na década seguinte
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Carne
O abastecimento de carne a Espinho em meados do século passado era feito a partir do matadouro da Vila da Feira. Só em 1876 a Câmara da Feira decidiu construir um pequeno matadouro em Espinho, devido ao aumento da população, durante a época balnear, no extremo norte da rua 16, atrás do cemitério. Com o tempo, a pouca capacidade e falta de condições modernas de higiene do edifício, a Câmara de Espinho deliberou a construção de um novo matadouro na estrada do Golfe, inaugurado em 21 de Setembro de 1941.
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Vida cultural
Antes de 1900 a família de comediantes de nome Lentini vinha a Espinho de Verão. Montava um barracão de madeira e lona, com plateia desmontável e levava à cena peças populares como o "Amor de Perdição", "A Rosa do Adro" e o "Zé do Telhado".
Existiu também pela mesma altura o Moulin Rouge, um pequeno teatro situado num prédio ao fundo da avenida 8, entre as ruas 19 e 31.
Também esteve em actividade na rua 16 nº 27, em 1915, um Teatro Infantil
No inicio do século começaram a exibir sessões dois cinematógrafos na avenida 8: o Avenida em 1908, que dispunha de geral, plateia e balcão, onde passou o primeiro filme sonoro "O cantor Louco", em 1929; e o Peninsular, que abriu dois anos mais tarde no rés do chão da Assembleia Recreativa.
O Teatro Aliança foi a primeira casa de espectáculos de teatro a ser construída em Espinho. Situava-se na esquina norte poente das ruas 19 e 16, com entrada principal para a rua 19.
A sua inauguração foi no dia 20 de Agosto de 1890 com a peça de Carlos de Moraes, "A Falsa Adúltera"
Em 11 de Agosto de 1896 foi exibida a primeira sessão do cinematógrafo, a que se seguiram outras.
Junto situava-se o jardim High-Life, mais conhecido pelo Jardim do Teatro, um recinto arborizado e com um coreto. Mais tarde foi equipado com um campo de ténis e outro de patinagem, o Cine Jardim Recreio, uma "pataqueira" e uma casa de jogo. Em 1910 começou a chamar-se o "Paraíso de Espinho".
Em fins da década de 20 foi encerrado por necessitar de obras, estando fechado até 16 de Julho de 1933.



Jogo
No ano de 1865, já Espinho possuía 13 tabernas, que devem ter sido os primeiros casinos de Espinho.
Mesmo quando o jogo era proibido, não faltavam casas em Espinho
Muito tem contribuído o Jogo para a vida de Espinho, pois que emprega muita gente, que aqui passa a fazer a sua vida, além da animação que traz à praia, com as suas salas de jogo, dancing com variedades, cinema e salão nobre, para concertos e baile.


Batalhas das flores
As Batalhas das Flores, foram nas décadas e dez e vinte, o grande cartaz de Verão de Espinho.
Constavam de um cordo na Avenida, com carros enfeitados a rigor, geralmente da melhor sociedade de Espinho e seus frequentadores, que animavam a festa com a sua graça e juventude.
As Batalhas das Flores eram organização dos Bombeiros Voluntários de Espinho.


O Mar
1ª invasão do mar - 9 de Março de 1869
Entre 1869 - 1871- 1874 o mar avançou 95 metros
Até 1913 - o mar avançou mais de 90 metros



sexta-feira, 11 de novembro de 2011

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

terça-feira, 19 de julho de 2011

Fabrica Brandao Gomes & Cª

FÁBRICA BRANDÃO, GOMES & C.ª
Em 1894, Alexandre Brandão, Henrique Brandão e Augusto Gomes constituem a sociedade Brandão, Gomes & Cª.
A qualidade, diversidade e apresentação das conservas Brandão Gomes, proporcionada por um bom apetrechamento tecnológico, levaram a uma rápida afirmação nos mercados internacionais e, em particular, no Brasil onde tiveram grande aceitação.
A necessidade de aumentar a capacidade de produção de conservas de peixe e assegurar um acesso mais regular de peixe fresco levou a empresa a estabelecer fábricas filiais nos portos piscatórios de Matosinhos (1904) e Setúbal (1911) ou em mercados abastecedores pouco explorados como era o caso de S. Jacinto (1909).

TRABALHO
Nas épocas de maior movimento trabalhavam na fábrica de Espinho cerca de 400 indivíduos, com particular saliência para raparigas menores e sem qualquer escolaridade. Em 1910, apenas 25 dos seus trabalhadores sabia ler. Tinham na sua maioria uma origem piscatória e, no caso das mulheres e raparigas, a retribuição monetária era destinada a complementar os rendimentos dos respectivos agregados familiares.

PRODUTOS
As conservas de sardinha constituíam a principal produção das unidades fabris Brandão Gomes. Comercializada em latas de diferentes tamanhos e dimensões, a sardinha era apresentada nas mais diversas variedades.
A introdução de novos produtos de acordo com a divisa melhorando sempre, levou a empresa à exploração de todos os segmentos de mercado das conservas alimentícias. A sua actividade produtiva estendia-se a uma grande variedade de peixes, mariscos, carnes, aves, caça, legumes, frutas em calda, geleias, marmelada e queijo da serra.
A ampliação das primitivas instalações permitiu a produção de legumes em mostarda ou vinagre e do môlho d’Espinho. Em 1908 surgia o azeite enlatado e comercializado sob a marca Brandão Gomes.

ARTES
A Arte da Xávega é um sistema de pesca artesanal caracterizado por possuir um aparelho de arrasto demensal que, na nossa costa, é lançado pelo barco de mar. A partir da praia, desloca-se até distâncias consentidas pelo aparelho e à praia regressa, iniciando-se a designada pesca de arrasto ou da xávega, a qual se pratica com o recurso a um grande barco e a uma grande rede (arte grande). Não é o barco, mas sim o aparelho de arrasto que dá o nome à arte.

COMPANHAS
Durante muito tempo, a Arte da Xávega foi um agrupamento de pescadores sujeito a usos e costumes tradicionais sob a chefia de um governo, dedicando-se à faina do mar, e que tomou, no decorrer do tempo, vários nomes: chinchorro, companha e sociedade de pesca. Um processo de pesca artesanal que designava uma agremiação formada por sociedades com capitais realizados ou individuais.

FAMÍLIA
A Arte Grande, assente numa técnica com características peculiares (redes e embarcações), é moldada por um tipo humano original que desenvolveu uma forma particular de organização social. O vareiro, a varina e os filhos, compõem uma família que tinha na pesca a sua principal fonte de sustento.



Fábrica de Conservas "Brandão, Gomes & Cª Ldª"

Fábrica de Conservas "Brandão, Gomes & Cª Ldª"

Instalada num terreno pantanoso, a sul do novo aglomerado piscatório, a Fábrica de Conservas "Brandão, Gomes & C.a", foi fundada pelos irmãos Brandão (Henrique e Alexandre) e pelos irmãos Gomes (Augusto e José, que cedo sairia da sociedade), todos oriundos de Ovar e regressados do Brasil, onde angariaram fortunas consideráveis. Introduzindo os processos e a maquinaria mais moderna, com tecnologia importada (França, Holanda e Alemanha), a Fábrica centrou-se na conserva da sardinha (pois a capturada nas águas de Espinho era tida como excepcional, visto não possuir escamas), mas disponibilizava uma oferta diversificada, que incluía outros tipos de peixes, sopas, legumes, carnes, compotas e refeições preparadas. A energia era fornecida por um motor de explosão a gás pobre, por outro com três caldeiras a vapor e por um dínamo para iluminação eléctrica (em 1897, estavam já instaladas cerca de 150 lâmpadas), empregando um contingente de trabalhadores variável conforme o volume de matéria-prima (entre 300 e 500 pessoas, predominantemente do sexo feminino). Nos primeiros seis meses de laboração, foram produzidas 40 toneladas de produtos, pelo que foi celebrado um contrato, com os Caminhos de Ferro, para o transporte mínimo anual de 70.000 quilos, sendo o seu escoamento dirigido, preferencialmente, para a exportação, onde pontificavam os mercados de África e do Brasil. A sua estratégia de penetração apoiou-se na qualidade e numa campanha publicitária intensiva, a partir da divisa "Melhorando Sempre", pelo que angariou, em pouco tempo, o reconhecimento público. Em 1895, foi nomeada, por alvará de D. Carlos, fornecedora da Casa Real, "tendo em consideração o seu progressivo desenvolvimento industrial". Em 1897, o Júri da Classe IV da Exposição Industrial do Porto, atribui-lhe a única medalha de ouro para o ramo conserveiro, e o Governo agraciou-a, um mês depois, com o oficialato da Ordem de Mérito Industrial. A Fábrica de Conservas "Brandão, Gomes & C.ª", ao atingir proporções relevantes no mercado nacional, teve uma influência determinante no desenvolvimento de Espinho: absorvia grande parte do pescado, assegurando a sobrevivência de centenas de famílias; criou postos de trabalho, atraindo novos residentes e gerando rendimentos que aumentaram o poder de compra e permitiram consolidar o comércio local; gerou um aumento das receitas fiscais cobradas na freguesia, transformando-a numa das mais rentáveis do concelho da Feira; estimulou o progresso tecnológico, arrastando inovações decisivas como a luz eléctrica, o telefone e o telégrafo; promoveu o nome de Espinho, associando-o ao prestígio da sua marca, pelo que funcionava como cartaz de propaganda turística.

*** O Reino da Sardinha O anúncio luminoso que, no princípio do século vinte, se exibia na esquina do Hotel Bragança (o estabelecimento hoteleiro mais representativo da época) tem um valor simbólico muito forte e foi o primeiro anúncio luminoso eléctrico existente em Portugal,reflectindo, pois, a dimensão da Fábrica de Conservas “Brandão Gomes” como empresa dinâmica que apostava na valorização da sua imagem e não hesitava em recorrer a este expediente publicitário, quando a luz eléctrica dava os seus primeiros passos. Fundada em 1894 por emigrantes regressados do Brasil (os irmãos Brandão e os irmãos Gomes), a fábrica contribuiu, decisivamente, para a evolução acelerada da popular praia de banhos. No processo de constituição do concelho funcionou como um trunfo decisivo, capaz de convencer o pode instituído e de vencer as resistências, passando a assumir-se como uma força política autónoma, conhecida como o Grupo da Fábrica, que influenciaria os destinos locais nas primeiras décadas de existência como entidade autónoma. Três anos após a sua criação, a “Brandão Gomes” era agraciada com uma medalha de mérito e incluída na honrosa lista dos fornecedores exclusivos da Casa Real. Nessa altura, a electricidade não passava de uma novidade reservada aos privilegiados, mas nas suas instalações já trabalhava um dínamo e funcionavam 150 lâmpadas, quando a população se contentava com os candeeiros a petróleo. Aproveitando a vaga de inovação que se registou em Portugal, quando as rodas hidráulicas foram substituídas pela máquina a vapor, a fábrica contribuiu para alcandorar a lata de sardinha aos lugares cimeiros das exportações, ainda que alargasse a sua oferta para outros alimentos, desde as sopas e os legumes às carnes, aos peixes, aos “pickles”, aos molhos e às compotas. A sua produção diária rondava ao 30 mil latas, a tecnologia era importada da França e da Alemanha, os mercados do Brasil e de África constituíam o destino principal, empregava mais de 300 pessoas e dava-se ao luxo de manter em laboração filiais noutros pontos do litoral (Matosinhos, S. Jacinto e Setúbal). Como absorvia grande parte do pescado e dava emprego a muita gente, a Fábrica de Conservas contribuía para a sustentação da Vila e ajudava a divulgar o seu nome um pouco por todo o Mundo. Na década de vinte, a chama foi-se apagando e o seu lugar passou a ser ocupado por outro tipo de actividades. Ficou, contudo, presente uma memória tão exuberante como o anúncio que brilhava na frontaria do “Bragança”... (Hotel Bragança onde hoje é o Aparthotel Solverde)

*** 1870:Por este tempo existia na rua das Estrela, que era uma rua semi-paralela à rua do Areal e ficava a cerca de 200 metros do centro da actual esplanada, uma fábrica de conservas, fundada por um indivíduo de apelido Coelho, que veio a fazer parte mais tarde, da firma «Lopes, Coelho, Dias & C.ª» que montou uma fábrica de Conservas em Matosinhos. 1894:Foi inaugurada por Alexandre e Henrique Brandão, e Augusto José Gomes e dedicou-se não só a conserva de peixe mas também de carnes, sojas, hortaliças, frutas, pickles, azeitonas, azeites, mariscos, etc... 1895:A 20 de Julho o rei D. Carlos assina um alvará nomeando a Fábrica Brandão Gomes & C.ª fornecedora da sua casa Real e dando-lhe o título de «Real Fábrica de Conservas Alimentícias». Eis o teor do alvará: «Eu El-Rei faço saber a vós Francisco de Mello, Conde de Ficalho, Par do Reino, Conselheiro d’Estado e effectivo gran Cruz da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo e de outros estrangeiros, gentil Homem de Minha Real Comarca e meu mordomo Mor: que atentas as circunstâncias que concorreu em Brandão Gomes & C.ª, proprietários da Fábrica a Vapor de conservas alimentícias em Espinho. Conselho da Feira, distrito d’Aveiro, hei por bem e em apaz fazer-lhes mercê de os nomear fornecedores da minha Real Casa dos produtos do seu fabrico, sem vencimento algum pela Fazenda Real e tendo em consideração o progressivo desenvolvimento industrial do referido estabelecimento, sou servido nomeá-la com o título de Real Fábrica de Conservas Alimentícias, gozando de todas as honras e distinções que direitamente lhe pertencem com estes títulos poderão os agraciados colocar as Armas Reais Portuguesas no frontespício da dita fábrica. Em firmeza do que, mandei passar este alvará por mim assinado, que será cumprido como n’elle se contem, sendo registado nas repartições competentes. Paço em 20 de Julho de mil oitocentos e noventa e cinco.» 1901:A «Gazeta de Espinho» na sua edição de 19 de Maio dizia que «tem sido importante a conserva de ervilha naquele estabelecimento industrial» e que já subiam a umas dezenas de contos de reis as importações realizadas daquele género.

1912:Na sessão da Câmara de 10 de Fevereiro foi presente um ofício da Firma «Brandão Gomes & C.ª Lda.», pedindo licença para construir nova fábrica no terreno fronteiro à sua fábrica destinado ao leito das ruas 16, 18, 20 e 22. Na sessão da Câmara de 21 de Fevereiro foi deliberado não ceder os terrenos pedidos pela firma «Brandão Gomes & C.ª Lda.» para construção de uma nova fábrica, pois tais terrenos destinavam-se às ruas da Vila e prejudicaria «o progresso e aumento da povoação». Na sessão da Câmara de 16 de Março foi presente um ofício da firma «Brandão Gomes & C.ª Lda.», no qual participava a sua desistência da construção de uma nova fábrica. 1914:A «Gazeta de Espinho» de 9 de Agosto anunciava que tinham suspendido a sua laboração as fábricas de conservas «Brandão Gomes & C.ª» e a Serração de Madeira de Gomes & C.ª 1917:Em sede própria, na rua 19 esquina da rua 18 abriu no dia 24 de Janeiro a nova Cooperativa dos Empregados da Fábrica «Brandão Gomes & C.ª Lda.», sob a gerência de António Gonçalves Rodrigues. 1925:Foi visitada no dia 4 de Setembro pelos ministros do comércio e da Instrução Pública, que se acompanhava duma grande parte da imprensa diária do país.